
Diante dos desafios ambientais enfrentados pelas comunidades, como o descarte irregular de resíduos sólidos, a redução da cobertura vegetal e os impactos do turismo desordenado, o projeto de pequena intervenção Plantando o Amanhã na Terra das Maracanãs, elaborado pelo Coletivo Bom Jardim em Ação, realizou uma ação de limpeza e mobilização ambiental na zona rural de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Intitulada “Ecofaxina Pitaguary”, a atividade reuniu aproximadamente 20 jovens. Durante a ação, foram recolhidas 11 sacolas de 200 litros de resíduos, além de uma caixa de vidros, que receberam a destinação adequada. O mutirão chamou atenção para os impactos provocados pelo descarte irregular do lixo nos territórios e para a importância do cuidado com os espaços naturais.
A mobilização foi articulada pelo Coletivo Bom Jardim em Ação, em parceria com o Instituto Asas e Raízes, moradores da Aldeia Olho D’Água e comerciantes locais, fortalecendo o diálogo com a comunidade e garantindo que a ação partisse das demandas e dos conhecimentos de quem vive no território.
Para Anna Beatriz, do Coletivo Bom Jardim em Ação e responsável pela mobilização, a iniciativa também representa um processo de aproximação e construção de vínculos com a comunidade indígena.



“O edital da REAVER trouxe a maturidade e a estrutura necessárias para transformar essa vontade em uma intervenção concreta. Eu queria garantir que a juventude da REAVER conhecesse o território a partir das vozes e saberes dos próprios indígenas, gerando uma devolutiva real.”, disse.
A relação de Anna com o território começou ainda na adolescência e foi fortalecida durante sua atuação como bolsista de pesquisa e extensão do NEABI do IFCE Maracanaú, onde teve contato com ações de educação e justiça ambiental e com iniciativas de valorização da arte e da cultura indígena.
Segundo ela, esse processo permitiu compreender mais profundamente os desafios ambientais vivenciados na região e fortalecer as conexões com a comunidade. A ação também buscou considerar os impactos do turismo predatório e desordenado sobre o território e as diferentes formas de relação construídas pela comunidade com o espaço.
Durante o mutirão, um dos momentos que mais chamou a atenção da jovem foi a aproximação espontânea de um morador.
“O momento mais marcante da ação foi ver um morador nos abordar na margem da estrada de terra perguntando como poderia se juntar ao projeto. Ficou evidente que o impacto dos resíduos incomoda quem vive ali, e o que falta é a mobilização e organização coletiva para despertar a atitude ambiental que já existe na comunidade.”





